Jasminas

Quem Somos

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Caderno de registros da 1a edição do Jasminas, em 24 e 25 de novembro de 2018

O Jasminas nasceu do projeto Anahata: mulheres cuidando de mulheres e tem a missão de despertar a consciência corporal e a cura por meio de terapias holísticas.

Nossos princípios norteadores são: a construção prática de justiça feminista, a organização horizontal, transparência financeira e a autonomia das mulheres.

O foco das nossas ações é oferecer terapias à mulheres sobreviventes de violência em suas diversas manifestações, permitindo a mudança do foco jurídico no agressor para colocar o foco na reconstrução da dignidade das mulheres. Identificamos as nossas ações dentro do espectro dos feminismos que constroem coletivamente, de forma comunitária.

Abrigado na Casa Jasmim – espaço de cura e reconexão – queremos acolher e oferecer apoio e tratamento as mulheres de forma gratuita e independente, a princípio em eventos periódicos com atendimentos individuais e vivências coletivas oferecidos por terapeutas voluntárias; também com uma parte cultural e de empoderamento com feira de exposição de trabalhos de mulheres e apresentações artísticas. A longo prazo, a Ação Jasminas pretende ser um centro de apoio fixo e aberto para mulheres, contando com psicólogas, advogadas e terapeutas voluntárias para acolher e dar suporte.

A Ação Jasminas busca criar um espaço para mulheres se unirem, se fortalecerem e se cuidarem, resgatando laços que foram desfeitos pela violência misógina de uma sociedade fundada em um conceito de justiça patriarcal. Acreditamos que juntas podemos nos fortalecer, nos acolher, reestruturar nossa dignidade e agir pela vida das mulheres.

Os princípios norteadores do Jasminas são: a horizontalidade, autonomia, justiça feminista e saúde integral.

Entendemos como organização horizontal uma estrutura onde a comunidade de mulheres seja protagonista do processo de justiça de forma emancipadora, dissolvendo o modelo de vítima e nos promovendo enquanto sujeito político.

O nosso conceito de autonomia parte da consciência de que as mulheres, assim como a nossa organização, possuem o poder de decisão sobre a sua vida, ou seja, serem as protagonistas do processo de decisão política e sobre o autocuidado. Vemos como importante para a nossa noção de autonomia a transparência da gestão dos recursos que recebermos seja por meio de doações ou editais. É ainda central que os apoiadores não terão interferência direta na nossas decisões e ações, garantindo assim a nossa autonomia.

Nossa perspectiva de justiça feminista desconstrói a noção do sistema punitivista que foca sua ação no agressor. A estrutura jurídica vigente foi delineada durante a Inquisição (Z e não atende a demanda das mulheres por dignidade, fortalecimento e acolhimento. Nossa aposta é que o Jasminas, ao focar no cuidado e fortalecimento das mulheres, construa uma noção de justiça centrada na cura e no empoderamento.

Entendemos como saúde integral a noção de que o nosso ser não pode ser fragmentado, e portanto sobrevivemos as experiências de trauma nos âmbitos psicológico, físico e energético. As terapias convencionais de acolhimento estão focadas exclusivamente no tratamento psicológico e não atendem a integralidade do ser – nossa aposta é portanto acessar também o corpo como locus de autoconhecimento e cura. Nos inspiramos também na abordagem terapêutica que ultrapassa a ideia de violência sofrida a nível individual para perceber a importância da saúde em todo tecido social. Pensamos que cada mulher dentro da sua especificidade está conectada com uma ampla gama de mulheres com as quais constituem a comunidade. Nossa proposta de acolhimento busca uma forma de justiça feminista que promova as mulheres enquanto sujeito na sociedade.